sexta-feira, 9 de agosto de 2013

A ARCA DE NOÉ OU O TITANIC?



(ou "O ANEL QUE TU ME DESTES ERA VIDRO E SE QUEBROU")

“A Arca de Noé foi construída por amadores e o Titanic por especialistas”. Essa frase, quando lida por mim, pela primeira vez, criou uma série de “minhocas” em minha cabeça. E, como, com quase tudo o que acontece em minha vida, logo a associei à educação que, para dizer a verdade, constitui (embora não me considere nenhum psicótico) o “meu mundo particular” – o mundo para onde me retiro para as minhas reflexões e os meus “insights”. Logo, então pensei com os meus botões: “onde é que eu me encaixo nessa estória?”.Durante minha vida, tenho tido a oportunidade de estudar em diversas faculdades e diferentes cursos, inclusive um de Mestrado em Educação. Se levasse em conta apenas cursos e escolas, poderia colocar-me na posição de “especialista”.

Mas, considerando a Escola da Vida, creio que ainda devo categorizar-me como “amador”, pois, como o leitor poderá descobrir com a leitura deste blog, ainda continuo na condição de “sujeito aprendente”, proposta por Paulo Freire. Então, entre os “amadores”, construtores da Arca de Noé, e os “especialistas”, construidores do Titanic, descobri que, para meu próprio bem, é melhor que fique com a primeira opção. E procurei tranquilizar-me com essa ideia. Mas a mente da gente não dá trégua. É, ao mesmo tempo, insistente e persistente. A insistência, às vezes, pode ser considerada “burra”, mas a persistência geralmente constitui uma virtude.

Vai daí que, temperando amador com especialista; conhecimentos aprendidos com experiências vividas, propus a mim mesmo a seguinte questão:“Como um professor “da velha guarda”, formado segundo o paradigma do modernismo clássico; e estando atuando numa escola que funciona segundo um novo paradigma, a chamada “escola pós-moderna”, tendo que ter “jogo de cintura” para adaptar-me a ela, em que espécie de educador tenho me transformado?

“Isso me fez ver que, ao contrário do que se poderia esperar, minha experiência, digamos “moderna” tem sido muito útil para a educação que procuro praticar na escola “pós-moderna”“. Do fruto dessas minhas “minhocações” nasceram os textos que o leitor agora tem em mãos.

Embora possa não parecer, a princípio, eles guardam uma identidade comum e um elo que os une: a preocupação com a qualidade de ensino e com os contornos que estamos produzindo na escola pós-moderna.

A escolha do título foi baseada numa citação de Miguel Arroyo, na qual, discorrendo sobre a fala de uma colega sua, também professora, lembra a canção infantil (tratamos disso em um dos textos) “o anel que tu me destes era vidro e se quebrou”, que o autor da melodia usa, metaforicamente, para representar o pouco amor do amado.

Assim como para aquela professora, para nós também, a metáfora do “anel de vidro quebrado” simboliza a fragilidade do aluno “pós-moderno”, que, vítima da globalização e do neoliberalismo inclemente, tem a sua infância emocionalmente estilhaçada, tornando-se um adolescente “adultizado”, com o qual temos que conviver sabiamente, para minimizar esse trauma.

De resto, se não tivermos condições de construir um “Titanic” turbinado e reprogramado, que possamos erigir, ao menos, uma “Arca de Noé” decente e lúdica para os nossos alunos.Jamais, porém, uma “Torre de Babel”.

Que nossa conversa, neste blog, possa ajudá-lo neste propósito.

Boa Leitura!



O autor

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