(ou "O ANEL QUE TU ME DESTES ERA VIDRO E SE QUEBROU")
“A Arca de Noé foi construída por amadores e o Titanic
por especialistas”. Essa frase, quando lida por mim, pela primeira vez, criou
uma série de “minhocas” em minha cabeça. E, como, com quase tudo o que acontece
em minha vida, logo a associei à educação que, para dizer a verdade, constitui
(embora não me considere nenhum psicótico) o “meu mundo particular” – o mundo
para onde me retiro para as minhas reflexões e os meus “insights”. Logo, então
pensei com os meus botões: “onde é que eu me encaixo nessa estória?”.Durante
minha vida, tenho tido a oportunidade de estudar em diversas faculdades e diferentes
cursos, inclusive um de Mestrado em Educação. Se levasse em conta apenas cursos
e escolas, poderia colocar-me na posição de “especialista”.
Mas,
considerando a Escola da Vida, creio que ainda devo categorizar-me como “amador”,
pois, como o leitor poderá descobrir com a leitura deste blog, ainda
continuo na condição de “sujeito aprendente”, proposta por Paulo Freire. Então,
entre os “amadores”, construtores da Arca de Noé, e os “especialistas”, construidores
do Titanic, descobri que, para meu próprio bem, é melhor que fique com a
primeira opção. E procurei tranquilizar-me com essa ideia. Mas a mente da gente
não dá trégua. É, ao mesmo tempo, insistente e persistente. A insistência, às
vezes, pode ser considerada “burra”, mas a persistência geralmente constitui
uma virtude.
Vai
daí que, temperando amador com especialista; conhecimentos aprendidos com experiências
vividas, propus a mim mesmo a seguinte questão:“Como um professor “da velha
guarda”, formado segundo o paradigma do modernismo clássico; e estando atuando
numa escola que funciona segundo um novo paradigma, a chamada “escola
pós-moderna”, tendo que ter “jogo de cintura” para adaptar-me a ela, em que
espécie de educador tenho me transformado?
“Isso
me fez ver que, ao contrário do que se poderia esperar, minha experiência,
digamos “moderna” tem sido muito útil para a educação que procuro praticar na
escola “pós-moderna”“. Do fruto dessas minhas “minhocações” nasceram os textos
que o leitor agora tem em mãos.
Embora
possa não parecer, a princípio, eles guardam uma identidade comum e um elo que
os une: a preocupação com a qualidade de ensino e com os contornos que estamos
produzindo na escola pós-moderna.
A
escolha do título foi baseada numa citação de Miguel Arroyo, na qual, discorrendo
sobre a fala de uma colega sua, também professora, lembra a canção infantil
(tratamos disso em um dos textos) “o anel que tu me destes era vidro e se
quebrou”, que o autor da melodia usa, metaforicamente, para representar o pouco
amor do amado.
Assim
como para aquela professora, para nós também, a metáfora do “anel de vidro
quebrado” simboliza a fragilidade do aluno “pós-moderno”, que, vítima da
globalização e do neoliberalismo inclemente, tem a sua infância emocionalmente estilhaçada,
tornando-se um adolescente “adultizado”, com o qual temos que conviver
sabiamente, para minimizar esse trauma.
De
resto, se não tivermos condições de construir um “Titanic” turbinado e reprogramado,
que possamos erigir, ao menos, uma “Arca de Noé” decente e lúdica para os
nossos alunos.Jamais, porém, uma “Torre de Babel”.
Que
nossa conversa, neste blog, possa ajudá-lo neste propósito.
Boa
Leitura!
O
autor

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